A juíza Carla Graziela de Araújo barrcou a entrega do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro, candidato à presidência. A honraria seria concedida em um ato de campanha neste sábado, 17.
Decisão judicial e seus fundamentos
Uma liminar concedida pela juíza Carla Graziela de Araújo, da 5ª Vara de Fazenda Pública de Salvador, impediu a entrega do título de cidadão soteropolitano ao candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, proferida no dia 16 de outubro de 2026, estabelece uma multa de 500 mil reais em caso de descumprimento.
A honraria, que havia sido aprovada pela Câmara Municipal de Salvador, seria entregue durante um ato de campanha realizado no dia 17 de outubro. Para viabilizar a cerimônia, os vereadores aprovaram uma resolução que transferia a sede da Câmara para um local icônico da cidade, o Farol da Barra.
A juíza argumentou que a realização do evento às vésperas do segundo turno das eleições poderia comprometer a impessoalidade da administração pública e gerar custos desproporcionais ao orçamento municipal. O evento foi suspendido em resposta a uma ação popular movida por uma advogada.
Histórico da titulação em Salvador
O título de cidadão soteropolitano é tradicionalmente concedido a indivíduos de fora da capital baiana que tenham prestado serviços relevantes à cidade. A concessão a Flávio Bolsonaro, proposta pelo vereador Cezar Leite (PL), provocou uma reação negativa na população, com mais de 130 mil assinaturas sendo coletadas em um abaixo-assinado visando a revogação da homenagem.
Esta situação reflete tensões políticas na cidade, especialmente em um contexto eleitoral, onde qualquer ato administrativo pode ser interpretado como promoção de candidatos em campanha. A juíza Araújo reconheceu a autonomia política do Legislativo municipal, mas ressaltou que a escolha da data e a mudança de sede para um local turístico transformariam a solenidade em um evento com conotações promocionais.
Reações da população contra a homenagem
A concessão do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro gerou ampla controvérsia e levou a população a mobilizar-se contra a homenagem. O abaixo-assinado que ganhou força nas redes sociais demonstra um descontentamento significativo com o reconhecimento devido à figura do candidato, especialmente em face do seu histórico político e das recente polarizações no cenário nacional.
Com a decisão da juíza, a entrega do título segue suspensa até o fim do processo eleitoral de 2026, um reflexo das dificuldades que figuras políticas podem enfrentar ao tentar se engajar em ações que possam aparentar favorecimento em períodos de eleição. O caso exemplifica o cuidado necessário para preservar a integridade do processo democrático e a neutralidade das instituições públicas.



